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CITAÇÕES: Dermeval Saviani

        O professor Demerval Saviani argumenta que, sob a influência de uma ideologia econômica, o campo educacional é frequentemente relegado a uma condição de "mercadoria" (Hermida; Lira, 2018, p. 788).

    Além disso, ao longo da entrevista Saviani faz crítica às políticas de educação neoliberais, de padronização e avaliações externas baseadas em testes padronizados:

No Brasil, esse modelo de avaliação orientado pela formação de rankings e baseado em provas padronizadas aplicadas uniformemente aos alunos de todo o país por meio da Provinha Brasil, Prova Brasil, ENEM ou ENADE está, na prática, convertendo todo o “sistema de ensino” numa espécie de grande “cursinho pré-vestibular”, pois todos os níveis e modalidades de ensino estão se organizando em função da busca de êxito nas provas visando aumentar a pontuação no IDEB e no PISA (Hermida; Lira, 2018, p. 791).

      Em entrevista concedida em 2018 (Hermida; Lira, 2018), Saviani critica severamente essa reforma do Ensino Médio, argumentando que ela apenas mascara o antigo sob uma nova roupagem, uma vez que retoma os princípios da Reforma de Capanema.
      Observamos no processo de profissionalização uma dicotomia social que perpassa pela formação do sistema educacional do nosso país, no sentido de privilegiar a elite para o trabalho intelectual, isto é, a manutenção de direitos àqueles detentores dos meios de produção e, de outro lado, direcionar o trabalho manual e a escolarização básica às camadas populares, menos favorecidas econômica e socialmente, ou seja, a formação técnica para os filhos da classe trabalhadora, mantendo a tradição histórica do ensino técnico voltado apenas para o ingresso no mercado de trabalho. Saviani (Hermida; Lira, 2018, p. 787) afirma que 

A proposta aprovada corresponde ao intento do atual governo de ajustar a educação aos desígnios do capitalismo financeiro, buscando formar uma mão de obra dócil e a baixo custo. Para tanto, na contramão da tendência atual de empreender a unificação do ensino médio, fragmenta-o em cinco itinerários, argumentando com o princípio da flexibilidade que permitiria aos alunos a livre opção pelo itinerário que correspondesse aos respectivos projetos de vida, o que, na verdade, camufla a intenção de induzir a grande maioria à opção pelo quinto itinerário, ou seja, formação técnica e profissional.

Referência:

HERMIDA, Jorge Fernando; LIRA, Jailton de Souza. Políticas Educacionais em tempos de golpe: entrevista com Dermeval Saviani. Educ. Soc., Campinas, v. 39, nº. 144, jul.-set., 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/es/v39n144/1678-4626-es-39-144-779.pdf. Acesso em: 04 abr. 2024.


Comentários

  1. Autor que nao fica com a boca fechada, ele é contra as políticas neoliberais imposta na educação.
    Viva Dermeval

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